Pesquisa na REGUA

Se quisermos garantir a proteção a longo prazo do acervo de biodiversidade (flora e fauna) albergado pela Mata Atlântica, não resta opção senão a de realizar um vasto trabalho de reconhecimento das espécies presentes, suas interações e os fatores que determinam ou afetam sua sobrevivência, como um todo.

Por esse motivo, desde o início, os contatos e parcerias com o meio Acadêmico Brasileiro têm sido uma prioridade para a Reserva Ecológica de Guapiaçu. A REGUA privilegia e promove especialmente a vinda de pesquisadores brasileiros para realizarem pesquisas, aulas de campo, minicursos, workshops e outros tipos de atividades nas suas áreas e instalações; fornecendo para tal um apoio logístico e instalações adequadas.

Prioridades de Pesquisa

A REGUA estabeleceu um conjunto de prioridades no que tange aos projetos de pesquisa levados a cabo dentro da sua área de abrangência, a saber:
1. Pesquisa Básica: essencialmente inventários dos principais grupos de animais e Botânico.
2. Pesquisa Aplicada: visando o manejo dos reflorestamentos e remanescentes num contexto de paisagem fragmentada, especialmente o efeito de borda, a sucessão ecológica (a longo prazo), a dinâmica da fragmentação sobre as populações de animais e dos reflorestamentos.
3. Monitoramento: ainda incipiente, mas cujo interesse por parte da REGUA e das autoridades ambientais (como INEA e ICMBio) é hoje manifesto, em parte pela ocorrência na Região do Mosaico Central Fluminense de muitas espécies nas listas oficias de ameaçadas ou vulneráveis segundo os critérios da IUCN. Uma parte importante desta modalidade seriam os projetos de Refaunamento.

À primeira vista, a criação de um inventário da biota da REGUA apresenta-se como algo relativamente exequível, mas o grau de dificuldade do terreno e a inacessibilidade de parte significativa do mesmo; aliada ao caráter eminentemente furtivo de algumas espécies, facilmente transformam tal inventário numa tarefa hercúlea, até para grupos mais fáceis de monitorar e bem conhecidos, como é o caso das aves. Esta situação não é inédita no Estado do Rio de Janeiro que, apesar de considerado um dos historicamente mais bio-prospectados do Brasil, mesmo assim alberga lacunas importantes. Por outro lado, a riqueza de espécies dos ecossistemas tropicais é contrabalançada por uma característica que dificulta os inventários completos, a relativa escassez de indivíduos de cada espécie, pelo que o fechamento deste tipo de pesquisa se estende habitualmente por vários anos.
No caso das Aves, após dez anos de visitas regulares por parte de observadores de aves e ornitólogos com experiência, atingiu-se um total de 501 espécies, sendo que novas espécies estão continuamente sendo registradas, podendo ocorrer possivelmente 30 espécies adicionais nas maiores elevações. Ao passo que muitos visitantes podem contribuir com registros importantes de aves e mamíferos; o trabalho de buscar e identificar morcegos, anfíbios, répteis, insetos e plantas são tarefa quase exclusiva de profissionais e estudantes universitários, que por sua vez estão descobrindo gradualmente os benefícios e benfeitorias de trabalhar na REGUA.
Como a demanda de pesquisadores relativamente à Reserva não parou de aumentar, a REGUA contratou em 2010 um Coordenador de Pesquisa para supervisionar e melhorar a qualidade desse serviço prestado pela Reserva à Sociedade Fluminense.